Campo de Concentração Dachau - Munique


A cerca de 30 minutos de Munique, está o antigo campo de concentração de Dachau, que hoje é um memorial do holocausto e museu.

Ele foi o primeiro campo da região da Baviera, instalado por Heinrich Himmler, comandante da SS (a guarda do partido nazista), em março de 1933. Os primeiros prisioneiros que foram para este campo eram políticos, especialmente comunistas. Em seguida, chegaram os social-democratas e, só mais tarde, os judeus.

Dachau ficou conhecido por ser a "escola da violência" para todos os outros campos de concentração. Theodor Eicke, que se tornou comandante do SS no local em junho de 1933, desenvolveu o sistema dos Campos de Concentração Nacionais-Socialistas e treinou os guardas para não sentirem pena nem terem misericórdia, usando sempre a frase "Tolerância é fraqueza". Isso era chamado de "espírito de Dachau".

Mais tarde, Eicke foi nomeado para Inspetor dos Campos de Concentração na Europa e Líder da guarda SS. Assim, ele ganhou autoridade sobre todos os campos e disseminou o modelo.

Em Dachau estão abertos para visitação o acampamento dos ex-prisioneiros e a área da câmara de gás e do crematório. Além disso, tem o museu, que é super completo, enorme, com vídeos, fotos, objetos e muita história. São cerca de 3 horas de passeio - e isso porque a maior parte do antigo campo de concentração, o acampamento da SS, não é aberto ao público (desde 1972, o lugar é usado pela polícia de choque da Baviera). 

Para chegar lá, fomos de táxi. Ida e volta Munique-Dachau ficou, no total, em cerca de 80 euros (20 euros por pessoa, já que éramos 4 em cada carro). Na volta, é só pedir na recepção do museu para chamarem o táxi. É possível também (e mais barato) ir de trem - ele sai da estação central de Munique (Hauptbanhof). Pegue o trem S2 na direção de Dachau/Petershausen. O trajeto até lá demora cerca de 25 minutos. Ao sair da estação em Dachau, vá até o ponto de ônibus bem em frente e pegue o 726 em direção a Saubachsiedlung para chegar à entrada do memorial KZ- Gedenkstätte. Se comprar o ticket de grupo, de 2 a 5 pessoas, fica cerca de 20 euros também, só que para todos juntos. Para entrar no museu, a entrada com o áudio guide custa entre 2,50 e 3,50 euros.

No dia que fizemos a visita estava muuuuuito frio, ventando e chovendo bastante. O clima ficou ainda mais triste (se é que isso é possível!). Passamos aperto, porque é preciso andar um bocado ao ar livre, entre um pavilhão e outro. Foi cansativo, mas valeu a pena. A visita é imperdível. O clima é pesado, mas é a história do mundo. Não tem forma melhor de ver o que aconteceu, de relembrar para não repetir.


                  


Pintura da SS - "Rauchen Verboten" - que significa "Proibido Fumar"
Nos doze anos da existência e funcionamento de Dachau, mais de 200.000 pessoas de toda a Europa foram presas ali e nos numerosos sub-campos ao seu redor. Dessas, 41.500 foram assassinadas. Só em 29 de abril de 1945 as tropas norte-americanas libertaram os sobreviventes.


"Arbeit macht frei" – “O trabalho liberta” - Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons
O portão que serviu como a entrada e saída principal para o acampamento dos prisioneiros e que separou os prisioneiros do mundo exterior, trazia a propaganda nazista de que o trabalho libertaria. O objetivo era minimizar o que realmente acontecia ali. Queriam transmitir a ideia para os que estavam de fora de que era apenas um campo de trabalho e reeducação. Além disso, remetia ao trabalho forçado que usavam como método de tortura e extensão do terror da vida ali.

A partir de 1938, com a expansão do nazismo para outros países europeus, Dachau recebeu prisioneiros austríacos e checos. A partir de 1940, chegaram também prisioneiros de guerra da Polônia, Noruega, Bélgica, Holanda, França, entre outros. Logo, os alemães se tornaram uma minoria.

O monumento imponente que se encontra bem no centro da entrada do prédio principal foi projetado pelo artista Iugoslavo, sobrevivente do campo, Nandor Glid. Ele tem uma mesma inscrição em várias línguas que significa "Que o exemplo daqueles que foram exterminados aqui entre 1933 e 1945 por causa de sua luta contra o nacional-socialismo unir os vivos em sua defesa da paz e da liberdade e em reverência da dignidade humana." O monumento foi criado sob a suposição de que o visitante iria tomar o mesmo caminho que os prisioneiros andaram uma vez, entrando através do mesmo portão. De acordo com o site oficial de Dachau, “O esqueleto humano comemora aqueles, que em um ato de desespero, pularam a cerca de arame farpado. Morte no campo de concentração era comum e onipresente. Esta descrição não é apenas simbólico, também conta a história dos muitos suicídios cometidos neste caminho no campo de concentração de Dachau”.



No final do monumento as palavras "Never Again" são escritos em iídiche usando letras hebraicas, e em Francês, Inglês, alemão e russo. Uma urna com as cinzas do desconhecido campo de concentração de prisioneiros está diante dele e recorda o destino de milhares de pessoas cujos cadáveres foram queimados no crematório. Ele foi enterrado aqui em Maio de 1967. O painel no lado estreito esquerdo do monumento notas mais longe: "Este monumento foi erguido em honra das dezenas de milhares de mártires, que morreu aqui como vítimas da tirania nacional-socialista e foi dedicado em setembro 8 de 1968 pelo Comité Internacional de Dachau. "

No pátio em frente a este prédio e ao monumento, os prisioneiros eram forçados a formarem filas de manhã e à noite, todos os dias, para as contagens nominais que duravam horas - fizesse chuva ou fizesse sol. Às vezes eram obrigados a arrastar os que morreram para a contagem ficar certa. Se a contagem não fosse certa, o procedimento durava por mais tempo. Muitos prisioneiros ficaram doentes ou morreram nesta rotina.


A exposição principal fica no edifício de manutenção, que além de oficinas e armazéns, a cozinha e a lavandaria dos prisioneiros, era aonde eram realizados os chamados "Schubraum", o procedimento de registro dos prisioneiros recém-chegados (e entrega de todos os pertences que tinham com eles) e os banhos coletivos. Hoje é neste prédio que está documentada toda a história do campo. Antigamente, ele tinha, escrito no teto, a frase "Não é um caminho para a liberdade. Seus marcos são: obediência, honestidade, limpeza, sobriedade, diligência, ordem, auto-sacrifício, honestidade, amor à pátria".

Ficha de cadastro de prisioneiro
Os banhos eram a última estação do procedimento de admissão. Ali, tinham suas cabeças raspadas, eram desinfetados, tomavam banho e vestiam suas roupas de prisioneiros. Os outros presos, que já moravam no campo, só passavam por lá uma vez por semana no início, e mais tarde com ainda menos frequência, para se banhar. Eles se molhavam através sob sprinklers fixados à parede.


Foto do banheiro na época e como está hoje


No fim do pavilhão fica um memorial internacional. Lápides, mensagens e placas de famílias e países ficam expostas lembrando aqueles que perderam. A sala tem um livro imenso com todos os nomes dos que passaram por Dachau.


Em 1933, Theodor Eicke criou regulamentos disciplinares e punições severas para o campo, até mesmo sentenças de morte. Apesar de transmitir a ideia de um ordenamento jurídico, os guardas podiam agir de forma arbitrária. Com frequência, os prisioneiros eram detidos no bunker, uma prisão dentro de outra, bem atrás do edifício de manutenção, para isolar os rebeldes. Sofriam flagelações e outras torturas.


Depois do pátio em que os presos eram contados, há um corredor enorme. Na época, o caminho era cercado por 34 casinhas, mas o exército americano destruiu todas. Apenas duas casas foram reconstruídas para compor o museu. No fim do caminho está a capela. A posição dos antigos edifícios está marcada pelas fundações de pedra no chão. O arranjo simétrico das construções foi implementado em quase todos os campos de concentração. Placas indicam o que um dia foram as instalações - enfermaria, biblioteca, cantina, etc.


O atendimento médico no campo era totalmente inadequado. Além disso, aproveitavam o espaço para realizar experimentos em seres humanos. Por exemplo, colocavam mosquitos infectados com malária dentro de pequenos cubos que instalavam no corpo dos prisioneiros. Queriam que eles fossem infectados para então realizarem testes de medicamentos e tratamentos neles. Alguns, eram colocados em água gelada para que congelassem e assim descobrissem o tempo médio que um homem sobrevive naquelas condições. Vídeos e objetos na exposição principal mostram estes experimentos e fotos expostas gravaram a agonia de quem era levado para estas salas.


Os campos eram projetados para receberem cerca de seis mil prisioneiros, mas foram superlotados nos anos subsequentes. Os quartos eram compostos por uma série de “tricamas”, como na foto abaixo:


No fim da via, à esquerda da capela, fica a área das câmaras de gás e do crematório. Os fornos estavam em funcionamento dia e noite. No final de 1944, a área não era suficiente para cremar tantos mortos. Na libertação do campo, no final de abril de 1945, os soldados americanos encontraram inúmeros cadáveres empilhados no local.



As fontes usadas para escrever este post, além da minha visita pessoalmente ao local, foram o folder da exposição e os seguintes sites:
https://www.kz-gedenkstaette-dachau.de/index-e.html
http://www.dachau.de/en/tourism/dachau-concentration-camp-memorial-site.html

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